Vovó Filomena saiu de férias, com seu vestidinho de flores coloridas, saiu de chinelas e cabelo preso de coquinho, colocou na pequena mala apenas o que achava necessário para poucos dias e foi se aventurar na cidade grande.Achou que o sol morava em todos os lugares do mundo e quando chegou passou frio com suas flores coloridas, suas pernas fininhas quase congelaram, o cabelo estava todo despenteado,parecia um espantalho! Procurou na bolsa um batonzinho e de repente, zás trás, sua bolsinha desapareceu! E aí ficou sem batonzinho vermelho e sem moedinhas. Achou aquilo um grande mistério! Haveria mágicos escondidos nas ruas da cidade grande? Deveria haver muitos pois viu uma coisa espantosa! Uma escada que se mexia! Era rolante, ouviu alguém dizer, achou aquilo incrível e lá ficou um bom tempo a olhar sem coragem de colocar os pés nos degraus que pareciam vivos, e se aquilo a engolisse? Mas num empurrão eis que lá estava em cima daquilo que parecia um verdadeiro dragão! Chegou lá embaixo com o coração nas mãos. Estava faminta e foi então que ela viu uma galinha enorme, um monstro e quando ela viu a vovó Filomena a abraçou e começou a dançar com ela no meio da calçada. Tadinha, ficou tonta de tanto rodopiar! E vovó ficou famosa, tiraram fotos e filmaram, ganhou até almoço no restaurante da galinha gigante. Mas as saudades já nasciam e a vontade de voltar pra casa já estava chegando. E com apenas um dia , que pareceram muitos, vovó Filomena voltou com a mala cheia de novidades e histórias para contar.
( ilustração Robert Romanowicz -Tia Clara )
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
E quando Tudo fica estranho
Há um bom tempo o elefante Godofredo já não sorria, a Princesa Severina não dançava debaixo das lágrimas do Rei Sol e o Rei Garfus I e senhor Faca não enfrentavam o dragão Bife. O elefante Godofredo deu para ficar reclamando feito um velho ranzinza e acha que seu guarda-chuva de bolinhas está muito brega, que xadrez está mais na moda e que vai passar umas férias na praia pra tirar essa cor rosa da pele, quer ficar um elefante moreninho, a Princesa Severina cansou de dançar na chuva, disse que por causa da arte ficou gripada por três dias e agora está de repouso e o Rei Garfus I e o senhor Faca cansaram de lutar contra o dragão Bife e agora estão em acordo de paz com as rebeldes saladas verdes. E desde que Beto voltara com sua cartinha esmagada entre as mãos suas historinhas estão cada vez mais estranhas . Lili não está entendendo nada, mas bem que ela queria que o elefante Godofredo voltasse a sorrir, e seu irmão também . Mas isso ainda era um mistério.
( ilustração de Justine Brax )
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A primeira Carta de Amor
Assim de longe o que via era apenas Anita ouvindo as palavras de gestos grandes daquele menino sentado ao seu lado, vestido com roupas assim elegantes e finas, cabelos penteados impecavelmente, e ele fazia Anita rir e ela sempre a olhar o chão e cruzar os dedinhos finos, distraindo os olhos claros. O menino de maneiras educadas e que pelo jeito não escrevera nenhuma lista de coisas impossíveis que Anita não sabe fazer, a distraia com uma conversa cheia de gestos grandes e aéreos e ela parecia bem feliz ali, ao seu lado. O menino de roupas alinhadas era o mais novo vizinho do bairro, chegara num belo carro e estava morando na bela casa que há tempos estava vazia de risadas. Chegara e já estava ali conversando com a "sua" Anita e isso deu a Beto uma sensação estranha, uma quase dor, uma vontade de chorar ou de bater naquele arrumadinho, ainda não sabia o nome do que estava sentindo, mas era ,sim, muito desagradável e dolorido. Amarrotou com toda a força a carta e esmagara todas as palavras que tinha encontrado nos livros do vovô Petrônio. A sua primeira carta de amor, ou de amizade, como ele teimava em dizer.
( desenho - Rebecca Dautremer )
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
A Tarde mais colorida de Todas
Entraram com passos a pisar em nuvens, era a primeira vez que eles estavam ali e tudo parecia um mistério. A sala de paredes brancas era decorada com toda a delicadeza e em cima do piano havia apenas o retrato de um rapaz muito bonito. Lili tinha a impressão de estar numa casa de bonecas e Beto sentia o aroma do chá de morango vindo da cozinha. Era a primeira vez que viam Luana sem as vestimentas negras do luto, era a primeira vez que viam as cores de seu rosto tão branquinho de olhos azuis, a primeira vez que viam a cor de seus olhos, de um azul tão único que não se esqueceriam mais, a primeira vez que ouviam a voz dela, tão delicada e fina que as palavras pareciam pequenas formiguinhas saindo de sua boca. Ela estava linda num vestido muito leve e florido e desde que recebera a cartinha decorada com colagens e um desenho de um elefante cor-de-rosa com um guarda-chuva de bolinhas, ela quis muito retribuir o carinho e ofereceu um chá com bolo para as crianças, o que D. Betina , a mãe de Beto e Lili, concedeu de bom coração , pois gostava da moça que era muito sozinha, na verdade ela ficou bem orgulhosa das crianças. Lili ficou encantada com o aparelho de chá de Luana , eram enfeitados com coraçõezinhos! Havia biscoitos, bolo, chá e o sorriso de Luana, que era o mais doce de todos. Então conversaram e Lili contou sobre Godofredo, a Princesa Severina , o Rei Garfus I , o senhor Faca e o Dragão Bife . E Luana passou uma tarde colorida e feliz. A mais colorida de todas.
( ilustração Robert Romanowicz )
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
O Rei Garfus I e o fiel escudeiro Faca contra o Dragão Bife
O Rei Garfus I do Reino da Talherândia e seu fiel escudeiro , o senhor Faca , tinham pela frente um exército de tomates e alfaces para enfrentar, umas rodelas de cebola , uma ilha de arroz com um mar de feijão para atravessar, os rebeldes das batatas fritas que se amontoavam na ilha de arroz, e o maior de todos os inimigos : o terrível bife que se impunha sobre todo o prato, ali , majestoso e suculento. O pobre senhor Faca se sentiu acuado pelo tamanho do inimigo, ele tão frágil no seu corpinho de plástico, mas o bravo Rei Garfus I não se abatia, segurou o enorme dragão, digo, bife enquanto o senhor Faca o fazia em picadinhos, sim, o senhor Faca era realmente muito corajoso! As batatas fritas rebeldes logo se renderam, estavam amarelas de medo, as alfaces ainda resistiam bravamente , os tomates ainda restavam desmaiados pelo prato , digo, campo de batalha , e as cebolas, coitadas, foram totalmente ignoradas...O Rei Garfus I para comemorar o fim do terrível bife fez uma festa de arromba no Reino da Talherândia! A Rainha Colherina ficou muito feliz e orgulhosa do marido... As colherinhas e garfinhos, filhos do casal, se jogaram no sorvete e nas saladas de frutas! Por enquanto, tudo era paz no Reino da Talherândia, até o horário da próxima refeição quando o Rei Garfus I e o fiel escudeiro ,o senhor Faca, nem sabiam quais os próximos inimigos que teriam que enfrentar...
Tudo isso para incentivar a pequena Lili a comer, ela que não gostava de salada nem de bife, mas ficava tão distraída ouvindo as historinhas que Beto inventava que nem percebia quando comia o terrível dragão, ops, bife !
( desenho de Robert Romanowicz )
Tudo isso para incentivar a pequena Lili a comer, ela que não gostava de salada nem de bife, mas ficava tão distraída ouvindo as historinhas que Beto inventava que nem percebia quando comia o terrível dragão, ops, bife !
( desenho de Robert Romanowicz )
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Tia Teófila, Tia Setembrina e Tia Celestina na festa de aniversário do vovô Petrônio
Chegaram com suas vozes e risadas, falavam tanto que deixavam todos meio tontos e perdidos. Tia Tenebrina com seu vestido de bolinhas e cabelos cacheados procurava nas bolsas coloridas alguma coisa esquecida, pois sempre se esquecia de tudo, a tia Setembrina com cores a estampar o rosto era toda perfumada e a tia Celestina era a calma em tudo, mas era tão, tão calma que quase dormia em pé ou sentada.
As três tias chegaram para comemorar o aniversário do vovô Petrônio, uma festa para dançar a noite inteira !Ele até inventou uns passinhos : dois passinhos pra lá, dois pra cá, uma voltinha, mãozinha pra cima, outra voltinha...com tantas voltinhas assim o difícil era não ficar tonto!
A tia Teófila ficou perdida, esqueceu pra que lado tinha que ir, o perfume extra forte da tia Setembrina fez todo mundo espirrar e a tia Celestina, bem, essa dormiu no sofá abraçada com a almofada. Cada uma trouxe um presente , até tia Teófila que levou um ótimo remédio para a memória , que talvez ela não tomasse já que a dela era péssima, tia Setembrina um perfume espanta-defunto e os vivos também (esse vovô guardou no fundo da gaveta ) e tia Celestina deu uma almofada de penas de ganso, super fofo. A festa ainda durou a noite toda com todas as suas voltinhas, foi a festa mais comentada do bairro Cogumelo Amarelo!
( ilustração La Torta Apetitosa - Robert Romanowicz )
As três tias chegaram para comemorar o aniversário do vovô Petrônio, uma festa para dançar a noite inteira !Ele até inventou uns passinhos : dois passinhos pra lá, dois pra cá, uma voltinha, mãozinha pra cima, outra voltinha...com tantas voltinhas assim o difícil era não ficar tonto!
A tia Teófila ficou perdida, esqueceu pra que lado tinha que ir, o perfume extra forte da tia Setembrina fez todo mundo espirrar e a tia Celestina, bem, essa dormiu no sofá abraçada com a almofada. Cada uma trouxe um presente , até tia Teófila que levou um ótimo remédio para a memória , que talvez ela não tomasse já que a dela era péssima, tia Setembrina um perfume espanta-defunto e os vivos também (esse vovô guardou no fundo da gaveta ) e tia Celestina deu uma almofada de penas de ganso, super fofo. A festa ainda durou a noite toda com todas as suas voltinhas, foi a festa mais comentada do bairro Cogumelo Amarelo!
( ilustração La Torta Apetitosa - Robert Romanowicz )
sábado, 14 de janeiro de 2012
Luana
Debaixo daquelas roupas tão escuras morava uma moça de pele pálida e cabelos sempre presos, de seu rosto nunca viram um sorriso, de sua boca nenhuma palavra. Seus olhos que ninguém sabia a cor, sempre miravam os próprios passos , quando ouvia os gritos dos moleques da rua, andava ainda mais depressa, parecia ter medo do mundo fora de sua casa, parecia tão sozinha...Ela despertava nas crianças um mistério de imaginação, algumas diziam que era uma princesa de uma terra muito, muito distante e que lá falava outra lingua e por isso ela não entendia o que eles falavam, outros imaginavam que ela era uma feiticeira que encantava crianças.Beto sabia que ela não era princesa e nem feiticeira. Um dia, quando seus passos não foram ouvidos pelos adultos, ouviu a verdade sobre Luana. Então escreveu uma carta com algumas palavras que tirara dos livros do vovô Petrônio, uma carta de amigo de verdade. Pediu á Lili que desenhasse o elefante Godofredo e seu guarda-chuva de bolinhas , fizeram colagem, fecharam o envelope e colocaram a cartinha na caixinha do correio. Quando Luana abriu aquela cartinha sentiu uma alegria no coração que há tempos não sentia, não se sentiu mais sozinha e sorriu. Dormiu e sonhou com o amor da sua vida, que também escrevia lindas cartas de amor para ela.
( ilustração - Rebecca Dautremer do livro Cyrano )
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