todo dia uma historinha
terça-feira, 15 de maio de 2012
desenhos de água
Eu desenhei pegadas no chão. Desenhei com água enquanto mamãe lavava a cozinha. As minhas pegadas de água andavam por toda a casa. E depois levei minhas pegadas para o quintal e lá elas desapareciam debaixo do sol. Iam sumindo assim devagarinho e eu ia lá na cozinha e molhava meus pezinhos e voltava a desenhar pegadas no quintal. ERa bem divertido e mesmo com mamãe pedindo para parar com a brincadeira eu continuava. Também desenhava com a ponta do dedo desenhos de água, e tudo ia sumindo. Acho que o sol estava comendo meus desenhos , então eu desenhava bolos bem grandes, de casamento que são os mais gostosos de todos, e desenhava bichinhos também. Aprendi a desenhar gatinho e cachorrinho. Faz um círculo grande e em cima um pequeno, que é a cabeça, depois as patinhas, as orelhinhas, os olhinhos, o bigodinnho e...o rabinho!! Mas o sol andava tão fominha que eu nem conseguia terminar o risco e ele ia comendo antes de eu terminar! Queria mostrar minha arte para mamãe, mas quando ela foi ao quintal já não tinha nem um desenho...o sol comeu tudo! Mamãe deu risada e disse que bem sabia a arte que eu estava fazendo. Mamãe também tinha o poder da adivinhação? E depois que o sol comeu bastante e estava de barriga cheia,ele foi dormir. E eu também fui e sonhei a noite toda com meus desenhos de água.
( ilustração Nicolas Gouncy )
terça-feira, 10 de abril de 2012
o liVRO da caPa verMElha
A vovó Filomena anda com umas ideias diferentes ultimamente e acho que foi depois que ela ficou trancada na biblioteca. Estava ela lá limpando as estantes, tirando o pó adormecido dos livros, acarinhando suas páginas e de repente veio o vento e pá fechou a porta da biblioteca ,a chave do lado de fora caiu e foi parar debaixo do sofá. Ficou trancada na biblioteca e ninguém sabia que ela estava lá, só o vento... e pensa que ela se chateou ? ou bateu desesperada na porta ? ou fez escândalo para tirarem-na dali ? Não! Ali era o verdadeiro paraíso! Colocou a música de seus discos de vinil para tocar e começou a viajar nas páginas dos livros, a continuar sua limpeza cuidadosa quando achou um livro de capa vermelha linda que a chamava venha, venha , vovó pegou e quando abriu que surpresa : era seu álbum de casamento! Há tanto tempo ali guardado ela nem se lembrava mais! Ela de vestido branco de princesa e um sorriso apaixonado, o vovô Petrônio de terno e cara de bobo atrapalhado. Ela com o vestido a arrastar no chão , a dançar a valsa , ele com a gravata a amarrar o pescoço e a desencontrar os pés na dança. Ela sem desistir de sorrir, ele sem esquecer de dizer eu te amo. Dançavam no salão enquanto a música tocava e o vovô gritava . Gritava? Vovó Filomena despertou das lembranças com os gritos do vovô Petrônio, como se ela estivesse em grandes apuros. Abriram a porta e encontraram vovó Filomena com cara de felicidade e acreditem depois que saiu de lá anda com vontade de dançar valsas, a comemorar o encontro com vovô Petrônio e a dizer eu te amo a toda hora e pra todo mundo. Acho que a biblioteca deixa a gente maluco.
terça-feira, 27 de março de 2012
um BaLÉ engRAçaDO
O vento levou o lenço colorido da vovó Filomena. O lenço rodopiava no ar, se contorcia , se espalhava , abria suas estampas no ar. O vento brincava com o tecido fino do lenço colorido da vovó Filomena, dançava com ele lá em cima, viajava pelos galhos das árvores, nos telhados da casa , pelo sono do cachorro Filósofo. O lenço voava com sua cor amarela e flores vermelhas, brincando com a vovó que ficava na ponta dos pés tentando pegá-lo com os dedos finos esticados no alto. Vovô Petrônio ria da brincadeira do vento e do balé desajeitado da vovó Filomena que de cabelos soltos e bagunçados não achava graça nenhuma mas logo também começou a rir, porque o seu lenço já não estava mais sozinho: agora estava acompanhado do chapéu do vovô Petrônio, os dois dançavam juntos : o chapéu e o lenço. O chapéu dava piruetas fantásticas no ar, vovô Petrônio tentava pegá-lo e segurando o cabo da vassoura tentava pescá-lo , mas o chapéu travesso sempre fugia. O vento também trouxe a música dos discos empoeirados da vovó Filomena, era o que faltava para aquele balé engraçado ficar completo. A música tocava embalando a dança do lenço e do chapéu . Embalava a dança engraçada da vovó Filomena e do vovô Petrônio. Enquanto isso o cachorro Filósofo sonhava.
( ilustração Rebecca Dautremer )
segunda-feira, 12 de março de 2012
ela É o meu SOl
Há dias o vento não brinca , as folhas caem moles no chão quente, a brisa tão delicada não consegue afastar o calor que parece cozinhar a carne da gente, e lembrei daqueles filmes onde os índios cozinhavam os brancos , bem, tentavam porque eles sempre conseguiam fugir e eu nunca vi como era preparado aquele cozido...Os dias estavam muito quentes, a vovó Filomena prendia os cabelos em lenços coloridos, cada dia usava um, seus cabelos ficavam presos no alto da cabeça parecendo um bolo de aniversário, dizia que era para o vento soprar gostoso na nuca, e eu achava engraçado essa frase da vovó, vovô Petrônio usava as calças arregaçadas, deixando as canelas finas à mostra, os pés ficavam esparramados nas chinelas de borracha, suava em bicas mas não usava lenços coloridos para prender os cabelos, ainda bem, senão acharia muito estranho, Lili , minha irmãzinha , ficava debaixo de seu guarda-chuva mágico e dizia que ali o sol não seria convidado, ficaria sempre pra fora do seu esconderijo, sem contar que ali todos ficavam transparentes, esse é o poder mágico do guarda-chuva da Lili, mas já fiquei ali e ainda não sei como é ser transparente...mamãe ainda consegue me enxergar para dar bronca. Nesses dias de sol reinante nem papagaio Funéreo canta o fim do mundo de tão desanimado que fica, Bartolomeu , o gato , só falta tomar banho de chuveiro e o cachorro Filósofo continua dormindo, como sempre...assim como meu coração que sempre que está perto de Anita desperta, estremece , amolece. Ela é o meu sol.
( ilustração Nicolas Gouny )
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
o Gato BartOlomEu
Bartolomeu era o gato aventureiro da vovó Filomena. Sujo da alma ás patas amarelas , ele não só detestava banho como também não gostava das coisas muito arrumadas, se assim estivessem ele mesmo as bagunçaria : nada que um rasgãozinho na cortina, uns arranhõezinhos nas almofadas, e claro, deixar suas patinhas marcadas no sofá, na cama, no chão recém-lavado da cozinha... Bartolomeu se achava o galã único da casa, embora seus pelos amarelos fossem encardidos, seus bigodes quebrados e uma das orelhas faltando um pedacinho, de tanto a vovó Filomena chamá-lo de lindo ele se convenceu de que era o único, o mais maravilhoso, o mais perfeito de todos os felinos. Bartolomeu adorava sair em suas aventuras noturnas, e na maioria das vezes voltava ainda mais estropiado, vovó Filomena dava muitas broncas, mas logo se compadecia dele e lhe enchia de esparadrapos, certa vez ficou parecendo um gato-múmia de tão enfaixado que estava, naquela semana ele foi a piada no bairro, nada que abalasse sua fama de aventureiro. Bartolomeu adorava desafiar os outros gatos e atrapalhar o sono do cachorro Filósofo , que passava as tardes dormindo debaixo das sombras das árvores e só latia desesperado quando Funéreo, o papagaio , anunciava o fim do mundo , esse aliás , era o eterno alvo de Bartolomeu, mas Funéreo era mais esperto e corajoso que Filósofo e sempre espantava o gato valente com seu escândalo e suas bicadas doloridas. Mas agora Bartolomeu descansa, porque logo que as estrelas chegarem ele partirá em busca de mais aventuras!
( ilustração Nicolas Gouny )
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
o Guarda-chuva da Lili
Lili queria um guarda-chuva de bolinhas. Um guarda-chuva de bolinhas igual do elefante Godofredo.Um guarda-chuva de bolinhas igual do elefante Godofredo e que tivesse poderes especiais. Um guarda-chuva de bolinhas igual do elefante Godofredo que tivesse poderes especiais e mudasse de cor. Um guarda-chuva de bolinhas igual do elefante Godofredo que tivesse poderes especiais , mudasse de cor e tocasse música. Um guarda-chuva de bolinhas igual do elefante Godofredo, que tivesse poderes especiais, mudasse de cor, tocasse música e fosse um esconderijo secreto também dos raios do sol. Os raios de sol, por mais que tentassem, não conseguiam entrar nesse esconderijo quase secreto, onde a música vinha da boca de uma menininha que cantava sempre a mesma música, também não mudava de cor, sempre vermelho que era e também não tinha poderes especiais e nem tinha as tão famosas bolinhas. Lili tinha o seu guarda-chuva vermelho de coração e inventou que daria a ele as famosas bolinhas e as pintou de várias cores e tamanhos e o guarda-chuva de Lili que antes era apenas vermelho de coração, era agora salpicado de pintinhas e bolinhas coloridas, e quando Lili ficava debaixo de sua sombra ficava transparente, ninguém conseguia vê-la e então ele ganhou um poder especial ! E só ali as gotas da chuva ficavam coloridas, só ali o sol ficava com pintinhas coloridas. O guarda-chuva da Lili era mágico !
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
O Papagaio Funéreo
O papagaio Funéreo era diferente de todos os outros papagaios. Não cantava em dias de sol, nem o Hino Nacional nem dos times de futebol. Ele adorava cantar nos dias de chuva e o tema não era dos mais alegres : era sobre o fim do mundo ! Vovó Filomena preferia chamá-lo de Fufu - como para espantar o agouro do nome - mas o vovô Petrônio ,que o encontrou sozinho numa noite de chuva, o batizou de Funéreo assim que ele começou a cantar o fim do mundo. Ele devia achar isso um grande acontecimento pois cantava na maior alegria, principalmente se chovia com raios e trovões, talvez achando que o mundo ia acabar mesmo , cantava, cantava : alala ôôô o mundo acaboooouu!! Vovó Filomena vivia passando vergonha por causa do papagaio , que também aprendeu a dizer Fim dos Tempos, Fim dos Tempos!! Ele estava espantando as visitas de final de tarde.Vovô Petrônio adorava Funéreo e vivia repetindo como ele encontrou o pobre bichinho abandonado na casa onde vivia um senhor muito estranho chamado Nostradamus, que vivia vestido de preto e também tinha dessa mania de prever o fim dos tempos, foi daí que Funéreo deve ter aprendido a infeliz previsão. Mas agora vivendo naquela casinha de paredes coloridas cheia de barulhos diversos , onde o Sr Silêncio jamais chegaria, ele aprenderá frases mais felizes e engraçadas, porque inspiração para isso não faltará!
Assinar:
Postagens (Atom)






